Autora · Diario

Está na hora de enfrentar o meu Adamastor!

Faz hoje um mês que nasceu o segundo livro da coleção de Histórias da Menina Catita.

28 de Abril foi um dia muito importante para mim pois este segundo livro tem uma história muito bonita. Uma história de Amizade e de Amor à História, ao nosso passado e à nossa identidade.

Mais uma vez, os avós da Menina Catita proporcionaram-lhe uma experiência única, o contacto direto com a diferença e a aprendizagem de como ser diferente é ser igual mas de outra maneira.

De lá para cá, ando a reorganizar-me. Dentro deste caminho que escolhi, o projeto das Histórias da Menina Catita, qual o trilho a seguir?

O coração pula em muitos sentidos e tem tido dificuldade em escolher um destino para reiniciar a jornada.

Se a primeira História, A Menina Catita e Afonso, rei de Portugal, influenciou a Menina Catita ao ponto de ela querer saber mais pormenores sobre o período da Reconquista Cristã e, através dela, descobrir a relação entre cristãos e muçulmanos na Península Ibérica; com a segunda história, Diferentes, mas iguais, a Menina Catita fica muito curiosa com a necessidade de peregrinar sentida pelos muçulmanos. Esta questão de caminhar ao encontro de alguém ou de alguma coisa dos muçulmanos, leva-a a refletir sobre esta vontade (ou ausência dela) por parte dos cristãos. Além disto, a catita vive numa casa cuja rua pertence ao percurso dos caminhos de Santiago. Assim sendo, este assunto está “em cima da mesa” de trabalho da menina. Mas, no seu coração (e no coração dela há sempre um mas), os dias de sol, o aproximar do Verão e o desejo de praia e mar, também despertam nela a vontade de partir para os “Descobrimentos”.

E assim ando, a deambular em leituras e pesquisas, com o coração a desejar fazer o Caminho mas também desejando avançar por esse mar adentro, ao encontro de novos mudos.

Enquanto não encontro a resposta, estou desorientada e só nos livros encontro a calma necessária para tomar decisões importantes.

Em menos de 24h, devorei o último livro de Miguel Sousa Tavares, “Cebola crua com sal e broa”, uma delicia de história de vida cruzada com uma verdadeira lição de História do passado recente do nosso país.

Agora estou com o “Riso de Deus” de António Alçada Baptista. Estou na página 26 (da edição da Presença de 1994), e do que até agora li estou fascinada. Destaco aqui trechos que sublinhei:

“Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade.” (pág. 15)

“(…) porque não deixo de acreditar que o mundo para que me sinto chamado não é nada daquilo que me quiseram oferecer.” (pág. 20)

“Vejo, e não quero fingir que não vejo, que as pessoas andam muito magoadas a viver o que vivem.”) (pág. 23)

Esta última citação ganha ainda mais força em mim pois constato-a nas pessoas à minha volta, todos os dias. Eu mesma. Ousei romper com um passado que me marcou. Sinto, por causa dessa ousadia, que sou olhada de forma estranha muitas vezes mas, agora, já não consigo, nem posso, nem quero, voltar para trás.  Sei que está na hora de enfrentar o meu Adamastor!

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