Diario

Os meus 4 avós

Hoje é dia dos avós.

Relembro com saudade os meus.

Cada um com as suas características, determinaram ao seu jeito a pessoa que hoje sou.

A avó Lucília, mulher doce e de sorriso fácil, meiga, pronta para ouvir e para aconchegar. Ao meu pedido, fazia as melhores papas de leite polvilhadas com canela que eram um manjar de deuses. Herdei dela os traços do meu rosto. As covinhas do sorriso. A madeixa de cabelos cor de prata que está a salientar-se cada vez mais. E eu adoro que seja assim. Tenho tantas saudades desta avó.

O avó Pinto Novo era um homem mais agreste. Autoritário muitas vezes. Mas para mim, a primeira neta, sempre mostrou uma paciência sem fim. No serão, penteava-lhe os cabelos umas mil vezes. E aquele homem, às vezes azedo para os outros, era doce para mim.

O avô Manel era um ser humano extraordinário. GNR de profissão, sabia impor o respeito sem levantar a voz e, quando isso acontecia, é porque a situação era mesmo muito muito grave. Gostava (gosto) tanto deste meu avô que é difícil escolher um momento especial dele. Contudo, a relação que ele desenvolvia com os animais e com as plantas era deveras interessante. Respeitava-os e cuidava das suas necessidades com um carinho sem fim.

O avô Manel era casado com a avó Custódia, a avó da farinha, mulher de génio, de garra e de trabalho. Eram um casal interessante. Ele com mais 9 anos que ela, pareciam complementar-se. Quando olho a fotografia do casamento deles, parece que vejo um pai a acompanhar uma filha ao altar, pois as diferenças de idade eram muito visíveis na época. Com o tempo, dissiparam-se.

Partiram todos muito cedo.

Ainda havia tanta coisa que precisavam ensinar-me e eu queria tanto aprender…

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