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Um aventureiro da Reconquista

Chamavam-lhe Geraldo Sem Pavor. De facto, dizia-se que não tinha medo de nada. Tendo-se zangado com o rei D. Afonso Henriques, foi viver para a zona de fronteira entre os territórios cristão e muçulmano, a chamada terra de ninguém. Com o seu pequeno exército, constituído, em grande parte, por moçárabes, aterrorizou durante anos as populações mouras do Alentejo e da zona de Badajoz.

Corajoso e astuto, Geraldo deslocava-se rapidamente de um lado para o outro da fronteira, conseguindo derrotar, muitas vezes, exércitos bem mais poderosos do que o seu. As povoações, atacava-as de surpresa, apanhando desprevenidos os seus defensores.

Foi o que aconteceu no ano de 1165, com a cidade de Évora. A noite estava escura como breu. Utilizando grandes escadas de madeira, Geraldo e mais cinco dos seus homens assaltaram uma torre de vigia que ficava a pouca distância da cidade e onde vivia apenas um mouro com a sua filha.

A partir da torre, Geraldo fez para Évora os sinais que o mouro foi obrigado a ensinar-lhe, fazendo crer que um exército cristão se preparava para atacar a cidade, vindo do lado norte. Todos os Muçulmanos capazes de pegar em armas saíram nessa direção e com tanta pressa que deixaram abertas as portas da muralha. Era a oportunidade que Geraldo esperava. Escondidos no lado contrário, ele e os seus homens lançaram os cavalos a galope e, entrando na cidade, conquistaram-na num abrir e fechar de olhos.

Geraldo entregou a bela cidade de Évora a D. Afonso Henriques, conseguindo, assim, que o rei esquecesse velhas ofensas. A obediência e a fidelidade, valores tão apreciados no mundo feudal, não estavam, no entanto, entre as principais virtudes do valente cavaleiro. Não tardou que surgissem novos conflitos entre ele e o monarca.

Impetuoso, como sempre, Geraldo Sem Pavor foi oferecer os seus serviços ao rei muçulmano de Sevilha, que o recebeu de braços abertos. Mais tarde, como recompensa, o rei mouro concedeu-lhe grandes domínios em Marrocos. Daí, ao que se diz, Geraldo escreveu uma carta a D. Afonso Henriques dando-lhe instruções sobre a melhor forma de conquistar aqueles territórios. Descoberta a carta, os Mouros não lhe perdoaram a traição e condenaram-no à morte. Assim, em terra estranha, chegava ao fim a vida de um cavaleiro que nunca soubera o que era o medo.

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