Diario

Portugal de Salazar

No final da II Guerra Mundial, Portugal era um dos países menos desenvolvido da Europa. Mais de metade da população trabalhava no sector primário, o que revelava o atraso da economia portuguesa, implicando a importação de  grandes quantidades de produtos agrícolas.

As exportações de matérias-primas e de alguns produtos industriais durante a guerra tinham permitido 0bter saldos positivos na balança comercial e acumular capitais mas continuavam a faltar incentivos ao investimento..

A política económica salazarista permanecia dominada pela obsessão da estabilidade monetária e financeira e pelo ideal de um país rural e modesto.

A partir da década de 50, alguns capitalistas  e alguns responsáveis governamentais, passaram a defender que o crescimento industrial deveria ser o motor de todo o sistema económico nacional.  O governo definiu então os planos de fomento e com eles surgiram novas indústrias, em especial químicas e metalúrgicas, e o Estado apostou no lançamento de um ambicioso plano hidroelétrico nacional.  Assim sendo, no período entre 1968 e 1973, concretizaram-se grandes projetos como a Siderurgia Nacional no Seixal e o complexo portuário-industrial de Sines. Em simultâneo, Portugal integrou a associação de comércio europeu, a EFTA e o país aceitou a entrada de investimentos estrangeiros, abriu-se ao turismo, permitindo a entrada de divisas estrangeiras.

Todavia, a maioria da população era pobre, nomeadamente nas zonas rurais. A pobreza do campesinato deu origem a um excecional movimento migratório, quer para os centros urbanos portugueses quer para o estrangeiro.

A nível político, Salazar procurou criar, no estrangeiro, uma imagem de regime respeitador dos direitos e liberdades individuais. Em 1945, organizou eleições para a Assembleia Nacional, que garantia serem “tão livres como as da livre Inglaterra”. No entanto, nem estas nem nenhumas eleições realizadas durante o período salazarista foram livres: não era dado tempo nem condições para as forças políticas de oposição se organizarem, eram muito poucas as pessoas inscritas nos cadernos eleitorais e os resultados eram sistematicamente manipulados pelo Governo.  O regime ditatorial fingia-se democrático mas só para efeitos da propaganda externa.

A manutenção do regime salazarista assentava em duas instituições: a censura e a polícia política.

A censura nunca deixou de vigiar severamente a imprensa, o cinema, o teatro, a rádio, a televisão e, de um modo geral, toda a produção cultural. Eram proibidas todas as criticas ao regime e aos governantes, bem como a difusão de ideias conotadas com o socialismo e com todos os ideais democráticos.

A polícia política (PIDE) continuava a exercer uma vigilância constante e uma repressão violenta. Todas as anifestações populares eram rigorosamente proibidas. Quando alguém era preso pela PIDE e acusado de atividades contra o Estado podia ser sujeito a tortura e a toda a espécie de violências e ficar muitos anos na prisão, por vezes sem qualquer julgamento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *