Diario

O Marcelismo

Em 1968, Salazar, incapacitado por doença, foi substituído por Marcelo Caetano como Presidente do Conselho de Ministros.

O novo chefe do governo tinha sido um fiel colaborador de Salazar mas tinha vindo progressivamente a afastar-se dele. Por isso, quando chegou ao poder, muitas pessoas acreditaram que seria o momento de Portugal fazer a transição para a democracia. Ele próprio propunha a renovação na continuidade, procurando obter um consenso nacional: aos grupos conservadores prometia continuidade e, ao mesmo tempo, acenava com a renovação àqueles que exigiam a democratização e a modernização do país.

Numa primeira fase, Marcelo Caetano procedeu a uma descompressão política, aliviando a repressão policial, aligeirando a atuação da censura e permitindo o regresso de alguns exilados políticos. Foi a chamada primavera marcelista.

Quando, em 1969, se realizaram eleições para a Assembleia Nacional, a oposição acreditou que, finalmente, o regime iria respeitar as regras democráticas. Todavia, como se mantiveram as irregularidades, apenas os deputados propostos pelo governo foram eleitos.

Por sua vez, a polícia política e a censura, depois da fugidia promessa de abertura, voltaram a atuar com dureza e violência. Longe de corresponder às expectativas de evolução pacífica para a democracia, o marcelismo revelava-se, afinal, a mera continuação do salazarismo.

Os últimos anos do regime caracterizaram-se, a nível económico, pelo reforço da industrialização e da abertura ao investimento estrangeiro. A nível social, alargou-se a segurança social às populações rurais e lançou-se as bases de uma reforma educativa. Mas, apesar destas medidas, o regime continuava a suscitar grande descontentamento. Nas fábricas, nos campos, nas universidades, nos meios intelectuais e mesmo no seio das Forças Armadas, intensificou-se a luta contra o regime.

O regime agonizava! A questão fundamental do país, a guerra colonial, continuava por resolver. Em 1973, a guerra estava praticamente perdida na Guiné e encontrava-se num impasse em Angola e Moçambique. Todavia, apesar da falência da situação militar, o governo de Marcelo Caetano continuava a recusar a solução política da questão ultramarina.

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