Diario

A questão colonial

Depois da II Guerra Mundial, quase todas as colónias europeias se foram tornando independentes. Em meados dos anos 60, Portugal constituía uma exceção, possuindo ainda um vasto Império Colonial.

 Este império, embora territorialmente muito extenso, era constituído por regiões pouco desenvolvidas. Apesar de algumas destas colónias serem ricas em matérias-primas, como Angola e Moçambique, o próprio atras tecnológico e económico de Portugal não tinha permitido promover o pleno desenvolvimento dessas potencialidades.

Até 1961, o Estatuto dos Indígenas não reconhecia à maior parte dos habitantes africanos da Guiné, de Angola e de Moçambique a condição de cidadãos nacionais. Poucos eram os que conheciam a língua portuguesa e só depois de aprenderem português, saberem ler e escrever e serem cristãos, obtinham o estatuto de assimilados, primeiro, e a categoria de cidadãos portugueses, depois.

Quando, em 1955, Portugal se tornou membro da ONU, foi-lhe exigido que concedesse rapidamente a autonomia às colónias. O governo português, no entanto, recusou-se a proceder à descolonização, argumentando que Portugal era um Estado pluricontinental e multirracial. As regiões dominadas passaram a ser designadas de províncias ultramarinas e s seus habitantes foram apressadamente declarados cidadãos portugueses.

A posição d governo de Salazar não conseguiu, porém, ser aceite internacionalmente, tendo a Assembleia-geral da ONU aprovado sucessivas resoluções para pressionar Portugal a descolonizar. O governo português limitou-se a ignorar a posição das Nações Unidas, afirmando Salazar que os portugueses preferiam estar “orgulhosamente sós”.

A intransigência do regime salazarista levou a inevitáveis conflitos nas colónias. Desde 1953 que  União Indiana, independente desde 1947, exigia a entrega dos territórios portugueses de Goa, Damão e Diu. À recusa persistente de Salazar respondeu a India com a invasão daqueles territórios, em 1961, e a sua anexação pela força. Foi também a partir de 1961 que se iniciou a luta pela independência das colónias africanas, primeiro em Angola e depois na Guiné e em Moçambique.

(embarque das tropas portuguesas para a India)

Em 1961, Angola tornou-se palco de luta contra a presença portuguesa. Esta luta veio a ser liderada por três movimentos de libertação: o MPLA (dirigido por Agostinho Neto) e a UPA (depois FNLA sob a direção de Holden Roberto), que atuaram sobretudo na região norte. A UNITA (comandada por Jonas Savimbi) cmbateria principalmente no interior leste.

Em 1963 a luta anticolonialista chegou à Guiné com o PAIGC dirigido por Amílcar Cabral.

Em Moçambique, as lutas de libertação, iniciadas em 1964, foram encabeçadas pela FRELIMO sob orientações de Eduardo Mondlane, que viria a ser assassinado pela PIDE e foi substituído por Samora Machel.

Todos estes movimentos receberam apoio político e material de vários países (uns dos Estados Unidos, outros da URSS e da China) que lhes forneciam armamento e preparavam muitos dos seus quadros.

Salazar optou pela defesa intransigente das províncias ultramarinas. Quando, em Angla, ocorreram as primeiras revoltas, ordenou imediatamente, o envio de mais tropas para aquele território. Pouco a pouco, Portugal envolveu-se numa longa guerra colonial em três frentes (Angola, Guiné e Moçambique) que se prolongaria até 1974.

A guerra colonial exigiu um enorme esforço humano e económico. Entre 1961 e 1974 passaram pelas três colónias africanas cerca de 800 mil soldados portugueses. As perdas humanas, d lado português, atingiram cerca de 9 mil mortos e mais de 15 mil feridos.

A guerra acabou por ter um efeito estimulante nas colónias. O governo canalizou maiores investimentos para Angola, Guiné e Moçambique: as grandes cidades desenvolveram-se, surgiram novas industrias, aumentou a extração de matérias-primas (como os diamantes e o petróleo de Angola).

Isso não impediu, todavia, a intensificação das ações de guerrilha. A guerra ameaçava eternizar-se. A solução para o problema colonial português passava, necessariamente, pela negociação política, mas o governo de Salazar continuava a apostar numa vitória militar, cada vez mais problemática.

 

 

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