Diario

25 de Abril de 1974

O 25 de Abril teve imediata adesão das populações. Dias depois, no 1º de Maio de 1974, no meio de uma alegria entusiástica, gigantescas manifestações consagraram o apoio popular ao movimento revolucionário.

Passados os primeiros momentos de euforia, porém, era necessário tomar as medidas necessárias com vista ao cumprimento do programa do Movimento das Forças Armadas, que traçava três objetivos fundamentais, mais tarde conhecidos pelos três D: DEMOCRATIZAR, DESCOLONIZAR e DESENVOLVER.

O desmantelamento do antigo regime iniciou-se logo no próprio dia 25 de Abril. O Presidente da República, Américo Tomás, o Primeiro-Ministro, Marcelo Caetano, e vários ministros foram presos e, mais tarde, exilados. O MFA nomeou uma Junta de Salvação Nacional a quem foram entregues, provisoriamente, os poderes do Estado. Dela faziam parte, entre outros, os generais Spínola e Costa Gomes.

A Junta de Salvação Nacional tomou algumas medidas imediatas de acordo com o programa do MFA: extinção da policia política; a abolição da censura; libertação de todos os presos políticos e permissão de regresso dos exilados; autorização de partidos políticos e de sindicatos livres.

Procedeu-se também à nomeação de um governo provisório que integrava personalidades representativas de várias correntes da oposição, como Mário Soares, Álvaro Cunhal e Francisco Sá Carneiro. O governo provisório promoveu desde logo o reconhecimento internacional do novo regime e a procura de uma solução para o problema colonial.

Em Julho de 1974, o Presidente da República, o general António de Spínola, anunciou o reconhecimento do direito à autodeterminação e à independência das colónias portuguesas.

A descolonização foi preparada através de negociações com os representantes dos movimentos de libertação. Todas as colónias portuguesas, com exceção de Macau e Timor, se tornaram independentes. Ainda em 1974, ascendeu à independência a Guiné. Ao longo do ano de 1975 foi a vez de Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Principe e Angola se tornarem também estados independentes.

Um dos efeitos da descolonização foi o regresso dos portugueses que viviam nas antigas colónias e que recearam as consequências da independência. Portugal acolheu, deste modo, cerca de 800 000 pessoas, cuja integração, apesar das dificuldades e perturbações do período revolucionário que então se vivia, se fez pacificamente.

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